Encontros da Confraria

Encontros nas terceiras terças feiras do mês, na Do Arco da Velha Livraria e Café, das 19h às 20h30min..

domingo, 13 de abril de 2014

O Saci


 No nosso 55º encontro falaremos sobre a obra "O Saci" de Monteiro Lobato.

A explanação ficará a cargo do confrade Dangelo Muller







terça-feira, 25 de março de 2014

A Fabulosa Morte do Professor de Português - palavra de Confreira*




  Na noite de 18 de março, nossos confrades e confreiras reuniram-se para discutir sobre "A fabulosa morte do professor de português" em que nossa confreira Dalva Corsetti Biasuz deu uma belíssima explanação acerca da obra, segue seu comentário ilustrado pelas fotos tiradas pelo Confrade Rogério.




A FABULOSA MORTE DO PROFESSOR DE PORTUGUÊS
Lourenço Cazarré , ilustrações Roberto Negreiros

Narrado em 1ª pessoa por um dos integrantes da história, retrata o clima de intrigas, suspense, rancores e ciúmes, respeitabilidade e irreverência que transcorre durante a tarde de inauguração de uma livraria. Para animar o evento, o livreiro institui uma caça ao tesouro, que vem a ser um exemplar raro escondido entre as prateleiras.
Na manhã seguinte, quando será desvendado o feliz ganhador da raridade literária, para surpresa geral, um cadáver é encontrado no último andar do estabelecimento. Diante do infausto ocorrido, policia, investigação, suspeitas, álibis, completam o enredo de suspense e final inesperado.
Dita inauguração foi objeto de cobertura jornalística imposta pela diretora da escola próxima, como tarefa escolar para uma eclética dupla de alunos, composta por uma adolescente mal humorada e um guri engraçadinho e convencido, ambos ao redor de 13/14 anos.
Os personagens do romance representam vários tipos da intelectualidade local, como professores, alunos, críticos, jornalistas, escritores, todos eles com um sentimento em comum: desafetos da vítima, um honorável professor de português.
Vítima esta que se compraz em ironizar, espezinhar, "azucrinar", para usar uma expressão que certamente o autor empregaria, a todos do seu círculo de atividade. Dotado de um egocentrismo radical, seu juízo não poupava de alunos a escritores, passando pelos livreiros, críticos e a imprensa.
Os próprios narradores são surpreendidos com rompantes do professor e de seus detratores, em defesa de princípios ou fazendo julgamentos açodados. Cada qual trazendo à tona os motivos de seus antagonismos desde os bancos escolares, quando alunos do indigitado professor ou ao amargarem críticas no exercício da profissão ( escritores, jornalistas e demais professores ).
Segundo se gabava o tal professor,..."sofro muito quando tenho que dar nota acima de seis a um aluno meu. Gosto mesmo é de ficar ali, entre cinco e três, mas descendo de vez em quando até um zerinho."
Aceitava como literatura só a dos clássicos; apregoava que a melhor leitura é a maçante e complicada, não a agradável e fácil. Valorizava a produção literária vinda de fora em detrimento da local, o que levava o Secretario de Cultura, Bernardo Bestunto a declarar que "afinal, porcaria se escreve em todo lugar! "
O autor usa linguagem coloquial, não desprezando gírias e analogias, quando estas expressam melhor suas ideias. Faz narrativa e diálogos com uma dinâmica própria para uma história de ação, com o pano abrindo e fechando rápido.
Nomina e caracteriza os personagens de modo atrevido e hilário, como profº Severino Severo, o guri convencido "Tédio", Delegado Túlio Trucido, poeta Arno Aldo Arnaldo, escritora Estrela dos Mares Rainha, lutador Beto Jamanta, jornalista Marco Bravo, beldade Rita Fashion....
Os poucos personagens com nomes "normais", a professora Ana Cristina, a aluna Mariana, parecem ser também das poucas pessoas sensatas da história.
Interessante a forma como a gramática é chamada a entrar em cena, ora como peça do libelo, ( a gente/agente, manga verbo/fruta, massa/maça ) ora para deslindar o mistério por intermédio de uma simples forma gramatical (...ainda não se sabe se ele suicidou ou morreu...).
O autor ilustra as idiossincrasias do professor que não aceita a criatividade de uma redação porque traz cacofonia (fl. 44) ou faz paródia de Guimarães Rosa, (fl.26) um de seus ídolos.
Os alunos entrevistadores se comportam com um misto de ingenuidade e perspicácia frente ao inusitado acontecimento "morte", levando o guri a advertir a colega durante o interrogatório policial: - "Preste atenção no que eles dizem. Ontem todos queriam matar o profº, lembra?"
Cazarré leva os protagonistas a ironizarem professores, poetas e escritores como gente que não gosta de trabalho pesado; a imprensa, pois repórteres só querem respostas óbvias, mais preocupados com a própria imagem do que com a notícia em si; a chatice das reuniões de filósofos e intelectuais onde cada um fica se jactando das suas obras e seu nível de conhecimento.
Faz uma classificação sui generis das escolas poéticas, em que a romântica só declama o amor; a revolucionária só trata de guerras e fuzilamentos e a vanguardista de fazer poemas que ninguém compreende.
O andamento narrativo sugere repetidas vezes um dilema entre crítica literária e bons escritores, como se um excluísse o outro;(os que entendem que crítico "severo" inibe o surgimento de escritores ou a falta deles propicia escritores ruins).
Em toda a história o autor deixa subjacente a importância do prazer na leitura, cabendo ao leitor a escolha do que e quando ler, independente da faixa etária, tanto na escola como na vida. Ler por puro prazer, afinal, livros bons não trazem mensagens, bons livros não são carteiros.
Sem ser livro escolar, as falas fazem colocações ortográficas e gramaticais claras, pertinentes ao público alvo, gratuitamente ou com um gancho no tema central.
Além do enredo envolvente, o livro atrai pela apresentação gráfica, a cor e tipo da letra que deixam a leitura mais agradável, o que por sinal, desagradaria muito ao professor! E o índice por si só, vem a ser um irreverente resumo de cada capítulo.
As autobiografias de ambos no final, escritor e ilustrador, referindo qualidades e defeitos segundo cada um, fecha o quadro das leituras que o próprio Cazarré diz querer "movimentadas, às vezes divertidas, às vezes tristes, que segurem a atenção volátil do jovem leitor" .
A derradeira ilustração dá ideia do final da história e da coesão do grupo atuante.

Por Dalva Corsetti Biasuz*











sábado, 15 de março de 2014

A fabulosa morte do professor de português


 Depois de umas férias, a Confraria Reinações de Caxias retorna as suas atividades na próxima terça dia 18 de março.
 O livro escolhido foi "A fabulosa morte do professor de português" do autor Lourenço Cazarré.
 A explanação da obra ficará a cargo na confreira Dalva Biazus.
   




  Sobre o Autor e a Obra:

 Para você que já teve algum dia um professor que desejou nunca ter conhecido? Quem imaginou assassiná-lo das maneiras mais cruéis inimagináveis? Leia este livro.

  Lourenço Paulo da Silva Cazarré, nascido em Pelotas - RS em 1953, possui cerca de quarenta livros publicados, em 1998, ganhou o premio máximo da literatura brasileira, o Jabuti em literatura infanto juvenil com a obra "Nadando contra a morte", além de diversos outros prêmio literários entre eles o da Bienal Nestlé, sua obra abrange temas polêmicos e questões sociais, como o livro "Isso não é um filme americano" obra já discutida na Confraria.

  Na obra A fabulosa morte do professor de português, Mariana e Teodoro (Tédio) são incumbidos de escreverem uma matéria para o jornal da escola sobre a inauguração de uma livraria onde estariam vários escritores e intelectuais, o que seria algo enfadonho tornou-se uma aventura misteriosa, regrada a suspense, humor e reviravoltas. Afinal quem matou Severino Severo, professor de português e crítico literário mais odiado da cidade?


Local: Na Livraria Do Arco da Velha, no novo endereço, Rua Dr. Montaury, descendo pro Parque dos Macaquinhos perto da escola São José.
Horário: das 19:30 às 21:00 horas.
Data: 18/03/2014
  



sábado, 18 de janeiro de 2014

Ângela e o Menino Jesus

 
    O Natal é uma data em que é comemorado o nascimento de Jesus Cristo. Na antiguidade, o Natal era comemorado em várias datas diferentes, já que não se sabia com exatidão a data do nascimento de Jesus. Foi somente no século IV que o 25 de dezembro foi estabelecido como data oficial de comemoração.
    Na Roma Antiga, o 25 de dezembro era a data em que os romanos comemoravam o início do inverno. Portanto, acredita-se que haja uma relação deste fato com a oficialização da comemoração do Natal.
    O Natal, para os cristãos é uma época que deveria servir de reflexão, o que não ocorre muito ultimamente, com esse intuito, a Confraria Reinações Caxias decidiu falar sobre o livro Ângela e o Menino Jesus do autor Frank McCourt.

    Nosso encontro ocorreu no dia 17 de dezembro na Do Arco da Velha, sendo que a explanação do mesmo ficou a cargo do confrade Dangelo Müller.
 
 

  Sobre o Autor e a Obra:
  Franck McCourt nasceu no Brookylyn, sendo descendente de imigrantes irlandeses, sendo criado em Limerick, Irlanda, Ganhou o prêmio Pulitzer pelo livro As cinzas de Ângela.

   O livro conta a história de Ângela (mãe do autor) que aos seis anos de idade, com pena do Menino Jesus que estava no presépio e que provavelmente sentia muito frio, já que ninguém colocara um cobertor nele, decidiu por levá-lo para casa para que Ele não passasse mais frio, com isso a história se desenvolve e chega-se a um final que contém um lirismo muitas vezes não percebido.

  Como comentou nossa confreira Teresinha Tregansin:
"Li a linda história proposta. Ela contém uma plasticidade que comove. Detive-me lendo e relendo, cativada pelo relato que prima pela simplicidade e religiosidade. Senti-me criança outra vez e voei para "Um País Chamado Infância", lugar em que todos nós "sonhamos em voltar", como diria o querido Moacyr Scliar."
 











sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Marcelo Martelo Marmelo - Ruth Rocha


   Em nosso 52º encontro foi explanado sobre a obra de Ruth Rocha "Marcelo, marmelo, martelo" um pequeno clássico da literatura infantil brasileira.
   A coordenação do encontro ficou a cargo da confreira Teresinha Tregansin.



Convite elaborado por Domenique Grigolo
 
Um pouco sobre a Autora:

Ruth Rocha apresenta em suas obras de maneira singela e humorística uma criticidade ao falar dos problemas sociais e políticos, constituindo uma forma de protesto contra as injustiças através de uma linguagem simples e coloquial estabelecendo uma cumplicidade entre narrador e ouvinte (SILVA, 2008)
Começou a escrever em 1967 para revistas, em 1976 seu primeiro livro é publicado, “Palavras Muitas Palavras”. Em 1998 foi condecorada com a Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura, ganhou 5 prêmios “Jabuti”.
Como começou a escrever num período turbulento na história brasileira, em seus livros começou a utilizar metáforas e símbolos para debater e falar da realidade da época, os livros O reizinho mandão (1978), O rei que não sabia de nada (1980) e O que os olhos não vêem (1981), demonstram essa maneira de escrever “mascarada” para não ser perseguida pela ditadura da época.
Seus personagens geralmente são reis que não conseguem controlar o poder, tornando-se apenas um fantoche nas mãos dos que estão ao seus lado, sendo um personagem que não visualiza ou não quer enxergar os problemas do seu reino para as classes menos favorecidas. Acaba demonstrando e questionando as situações vividas na realidade de forma lúdica e poética, através de metáforas para despistar a repressão vivida no período.
Seu livro mais conhecido é “Marcelo, Marmelo, Martelo”, que já vendeu mais de um milhão de cópias. 
Marcelo é um menino que começa a questionar seus pais sobre o porquê dos nomes das coisas, devido a incompatibilidade das funções exercidas pelas mesmas, resolve renomear os objetos de acordo com suas funções. A cadeira passou a chamar de sentador, o adjetivo belo seria o marido da bala? Por essas e outras o menino se mete em várias confusões. Quer saber como termina a história? Leia o livro, é curto..
Fonte: Artigos da Internet


 
Nossos Confrades
 
 
 

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O sapateiro e a força maligna

   Nosso 51º encontro mensal será no dia 11 de outubro de 2013, integrando a 29ª Feira do Livro de Caxias do Sul.

   A obra escolhida foi "O sapateiro e a força maligna" conto do grande autor Anton Tchekhov.
   A coordenação do encontro ficará a cargo do confrade Dangelo Muller.

                    Convite realizado por Domenique Pastore



Sobre o autor e a obra:
    Anton Pavlovitch Tchecov foi médico, dramaturgo e escritor russo, considerado um dos maiores contistas de todos os tempos. Tchecov nasceu em 29 de janeiro de 1860 e morreu de tuberculose em 1904.
    O conto é sobre um sapateiro pobre, humilhado pelas adversidades e pelos burgueses bem vestidos da Rússia sem preocupações financeiras.
    Um dia, atende um cliente estranho: o próprio diabo. E não perde a oportunidade! Vende imediatamente a alma em troca de uma vida burguesa de abundância e despreocupações.
    E começa a vivê-la imediatamente. e conhece a realidade que permeia a vida desses homens bons: comportar-se e manter unicamente uma aparência de nobreza. Uma imagem criada artificialmente: uma maquiagem!



Fonte: Wikipédia
           Sombra do viajante

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Robert Lewis Balfour Stevenson


Nossa próxima obra debatida será "A Ilha do Tesouro" no dia 17 de setembro.
Por isso, apreciem um pouco da biografia do autor retirada e traduzida do site oficial de RLS.


Vida e Obras

   Robert Lewis (Louis, mais tarde) Balfour Stevenson nasceu em Edimburgo em 13 de novembro de 1850. Seu pai Thomas pertencia a uma família de engenheiros que construíram muitos dos faróis ao redor da costa rochosa da Escócia. Sua mãe, Margaret Isabella Balfour, veio de uma família de advogados e ministros da igreja. Em 1857 a família muda para Edimburgo.
   Com dezessete anos, ele se matriculou na Universidade de Edimburgo para estudar engenharia, como o pai esperava. No entanto, ele abandona o curso e passa a estudar direito. Em 1875 torna-se advogado, mas na verdade o que queria ser era escritor. Em férias de verão da universidade, vai para a França tendo como companhia outros jovens artistas, escritores e pintores. Seu primeiro trabalho publicado foi um ensaio chamado "Roads", e seus primeiros escritos foram sobre viagens.
   Seu primeiro livro publicado, An Inland Voyage (1878), é um relato da viagem que faz de canoa partindo de Antuérpia (Belgica) para o norte da França, no qual o destaque é dado ao autor e seus pensamentos. Num segundo trabalho, relata uma viagem a Cévennes (1879) no sul da França, consolidando a imagem do narrador afável.

                        Robert e família

Viagem a Califórnia e casamento

   O encontro com sua futura esposa, Fanny, iria mudar o resto de sua vida. Eles se conheceram em setembro de 1876 em Grez, uma aldeia ribeirinha a sudeste de Paris, ele tinha vinte e cinco anos, e ela estava com trinta e seis anos, separada do marido e com dois filhos. Dois anos depois, ela voltou para a Califórnia e um ano depois, em agosto de 1879, RLS partiu em uma longa jornada para se juntar a ela.
   Esta experiência era para ser o tema de seu próximo trabalho em grande escala The Amateur Emigrante (escrito 1879-1880, publicado em parte em 1892 e integralmente em 1895), um relato dessa viagem para a Califórnia, que Noble (1985: 14) considera seu melhor trabalho.
   Neste trabalho de reportagem perceptivo e de observação, de mente aberta e da voz humana, é menos dinâmico e não evita a observação de dificuldades e sofrimento.
   Casaram-se em maio 1880 em São Francisco. Concluindo este primeiro período de suas obras estreitamente baseadas em suas próprias experiências, surge o livro Silverado (1883), um relato de sua lua de mel de três semanas em uma mina de prata abandonada na Califórnia.



                                                  1875

Histórias Curtas

   Stevenson tem um lugar importante na história dos contos nas ilhas britânicas: a forma tinha sido elaborado e desenvolvido nos Estados Unidos, França e Rússia a partir de meados do século 19, mas foi Stevenson que iniciou a tradição britânica. Sua primeira narrativa ficcional publicado foi “A Lodging for the Night (1887 - “A Hospedagem para a noite” numa tradução literal), um conto publicado originalmente em uma revista, assim como outras obras narrativas, tais como “The Sire De Malétroit’s Door" (1877), "Providence and the Guitar" (1878), e “The Pavilion on the Links" (1880) considerado por Conan Doyle em 1890 como" o ponto alto de um gênio [de Stevenson] "e" o primeiro conto do mundo "(Menikoff 1990, p . 342).
   Estes quatro contos foram coletados em um volume intitulado New Arabian Nights, em 1882. Esta coleção é vista como o ponto de partida para a história do conto Inglês. As histórias árabes foram descritas pelos críticos da época, como "histórias fantásticas de aventura", "romances" grotescas "em que a mente analítica se perde", e são vistos por Chesterton como "ímpar" e "a mais original de suas obras”.
   Elas possuem uma afinidade com o livro “Estranho Caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde”(mais conhecida por “O Médico e o Monstro”), em sua criação na cidade moderna labiríntica, e o assunto de crimes e segredos envolvendo membros respeitáveis da sociedade. Stevenson continuou a escrever histórias curtas toda a sua vida, e os títulos notáveis incluem: "Thrawn Janet" (1881), "The Merry Men" (1882), "O Tesouro de Franchard" (1883), "Markheim" (1885), que, por ser uma narrativa da dupla, tem certas afinidades com o Dr. Jekyll e o Sr. Hyde. Olalla" (1885), que, como o Dr. Jekyll e Mr Hyde originou-se de um sonho também lida com a possibilidade de degeneração. 





A Ilha do Tesouro e a Literatura Infantil

   Outra reviravolta na vida de Stevenson ocorreu quando estava em férias na Escócia, no verão de 1881. O clima frio e chuvoso obrigava a família a ficar dentro de casa. Um dia, Stevenson e seu enteado, Lloyd de doze anos de idade, o filho de Fanny, estava criando e colorindo um mapa imaginário de uma Ilha do Tesouro. O mapa estimulou a imaginação de Stevenson, e "Em uma manhã fria de setembro”, começou a escrever uma história baseada nisso como um entretenimento para o resto da família. 
   A Ilha do Tesouro (publicado em forma de livro em 1883), marca o início de sua popularidade e sua carreira como escritor rentável, foi o seu primeiro livro de narrativa ficcional, e o primeiro de seus escritos "para crianças".




Novelas e Romances

   Príncipe Otto (1885), sua segunda narrativa “longa”, é definida por como "uma fantasia filosófico-humouristico-psicológico". The Master of Ballantrae (1889) é uma narrativa em que os irmãos James e Henry têm semelhanças com Jekyll e Hyde, não só em suas iniciais, mas também por causa da personalidade mista do personagem "bom", o retorno constante da dupla perseguidora, e a simultânea morte dos dois antagonistas. Tanto Calvino e Brecht consideram ser o melhor da obra de Stevenson, sendo elogiada por escritores tão diversos como Henry James, Walter Benjamin e André Gide.
   O romance em que trabalhava quando morreu, “Weir de Hermiston” (publicado incompleta e postumamente em 1896), também é definida, na Escócia, num passado não muito distante e tendo sido muitas vezes elogiada e vista como obra-prima de Stevenson. O centro da história é a difícil relação de um pai autoritário e um filho que tem de afirmar sua própria identidade (um tema presente em muitos dos trabalhos de Stevenson - e podemos lembrar que Hyde é apresentado em alguns aspectos, como o filho de Jekyll - claramente um caminho para Stevenson explorar e chegar a termos com sua difícil relação com seu próprio pai).




Nos mares do Sul

   “Weir de Hermiston”, foi escrito quando Stevenson estava longe, do outro lado do mundo. Sua decisão de navegar ao redor do Pacífico, em 1888, vivendo em várias ilhas por curtos períodos, em seguida, desencadeando novamente (o tempo todo recolhendo material para um trabalho antropológico e histórico sobre os Mares do Sul que nunca foi totalmente concluído), foi outro ponto de viragem na sua vida.
   Em 1889 ele e sua família chegaram ao porto de Apia, nas Ilhas Samoa onde decidiram construir uma casa e por lá morar. Essa escolha lhe trouxe saúde, distância das distrações de círculos literários e dirigiu-se para a criação de literaratura madura: o viajante, o exílio, muito consciente dos lados duros da vida, mas também comemoram a alegria em sua própria habilidade como tecelão das palavras e das caixas de contos.
   Ele também atuou como um novo estímulo para sua imaginação. Escreveu sobre as ilhas do Pacífico em várias de suas obras posteriores. Estas narrativas marcam uma mudança definitiva no sentido de um realismo mais duro e cruel.




Morte

   A pessoa autoral tinha mudado desde suas primeiras obras, mas manteve uma alegria em seu ofício e uma consciência na formação da sua própria vida. Morreu em dezembro de 1894 e até moldaram a forma de seu sepultamento: como desejava, ele foi enterrado no topo do Monte Vaea acima de sua casa em Samoa. Apropriadamente era uma parte de seu próprio poema curto, "Requiem" (de uma coleção 1887), que foi escrito em seu túmulo: "Sob o amplo e céu estrelado, cavar a sepultura e me deixa mentir ..."


                                         

Repercução de sua Obra

   Stevenson estabelece uma relação pessoal com o leitor e cria um sentimento de admiração pelo seu estilo brilhante e sua adoção e manipulação de uma variedade de gêneros. Escrevendo em um período dominado pelo romance de três volumes (dominante de cerca de 1840-1880), ele parece ter escrito tudo, exceto um romance vitoriano tradicional.
   Escreveu sobre: peças de teatro, poemas, ensaios, crítica literária, teoria literária, biografia, viagens, reportagens, romances, histórias de aventura, fantasias, fábulas e contos. Tal como os outros escritores que foram afirmando a natureza artística séria da novela neste momento ele escreve em um estilo cuidadoso, quase poética - mas ele provocativamente combina isso com um interesse em gêneros populares.
   Sua popularidade com os críticos continuaram na Primeira Guerra Mundial. Ele, então, teve a infelicidade de ser seguido pelos modernistas que precisavam cortar fora qualquer tradição,
   Condenado por Virginia e, especialmente, Leonard Woolf (não é alheio, talvez, com o fato de que um dos grandes apoiadores de Stevenson tinha sido o pai de Virginia), ignorado por F R Leavis, ele foi gradualmente excluídos do "cânone" de autores regularmente ensinado e escrito.
   Em 1973, quando Frank Kermode e John Hollander publicaram o Oxford Anthology de Inglês e Literatura. Com mais de duas mil páginas à sua disposição para exemplificar e comentar sobre a poesia e prosa produzida nas ilhas britânicas de "1800 até o presente", nenhuma página é dedicada a Stevenson - em duas mil páginas , Stevenson nem sequer é mencionado uma vez!
   O interesse crítico foi aumentando lentamente desde então, em alguns países mais do que outros, embora tenha havido poucos estudos reunidos em um único volume, quando comparado com o grande número de livros publicados a cada ano de seus contemporâneos James e Conrad.
   Stevenson, alguns podem dizer, tem a sorte de escapar de tal atenção. A leitura deste mozartiano e mercurial escritor permanece para muitos como para Borges, apesar de negligência crítica, pura e simplesmente "uma forma de felicidade."



Fonte: http://www.robert-louis-stevenson.org (em inglês)