Encontros da Confraria

Encontros nas terceiras terças feiras do mês, na Do Arco da Velha Livraria e Café, das 19h às 20h30min..

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O Corsário Negro

   Na 59ª Confraria Reinações Caxias, será discutida a obra "O Corsário Negro" do autor Emilio Salgari.
 

     O termo Corsário advém do Italiano corsaro, que significa comandante de navio autorizado a atacar outros navios. Um corsário era autorizado pelo seu governante através de uma carta de corso a pilhar navios de outras nações. Essa tática era usada como um meio fácil e barato para enfraquecer o inimigo por perturbar as suas rotas marítimas sem suportar os custos relacionados com a manutenção e construção naval de uma esquadra.


     Na verdade, um Corsário era um pirata que era autorizado pelo seu Governante a pilhar outras embarcações, sendo reconhecido como tal pela lei internacional. Sempre que um navio corso fosse capturado, este tinha de ser levado a um Tribunal Almirantado onde tentava assegurar de que era um verdadeiro Corsário. Contudo, era comum serem presos e executados como piratas pelas nações inimigas.
     O Corsário mais famoso foi Sir Francis Drake, que graças aos fabulosos tesouros que arrecadou para a Inglaterra, tornou-se Cavaleiro pela rainha Isabel I da Inglaterra.
    Já o termo Flibusteiro era uma classe de antigos piratas das Américas, que sob a ameaça permanente dos espanhóis em Hispaniola (Colônia Espanhola nas Américas, atual Ilha de São Domingos - Haiti), os bucaneiros transferiram-se para Tortuga, que oferecia um abrigo natural para barcos de grande porte, facilitando o contrabando dos bucaneiros com piratas e contrabandistas.
     A sua convivência com os fora-da-lei que frequentavam Tortuga, envolveu-os em atos violentos e de pirataria. Assim, a original sociedade bucaneira misturou-se com os piratas, formando uma nova sociedade de foragidos, os flibusteiros, cuja época marcou a idade de ouro da pirataria nas Antilhas, a época da flibustaria. Os flibusteiros autodenominavam-se de “Irmãos da Costa”.

Navio Confiance comandado pelo Corsário Francês Rpbert Surcouf, pintura de Ambroise Louis Garneray

    A época de ouro dos corsários inicia-se cerca de 1600 e extingue-se em 1702 quando Luís XIV da França se alia com a Espanha. Durante todo o século XVII emigrantes protestantes e aventureiros da Inglaterra, França e Holanda viajam para as Antilhas como contratados de explorações agrícolas, de cana de açúcar.
     Esses contratos eram autênticas amarras de servidão, Cuba, Hispaniola, Jamaica, etc.. Muitos rebelam-se e tornam-se caçadores de gado selvagem sendo denominados de bucaneiros, assim chamados por cortarem a carne em tiras que defumavam, bucan, hábito e palavra de origem caribe; podiam assim conservar a carne por longo tempo.

Autor e Obra:


    Emílio Salgari é um dos autores italianos mais traduzidos, apesar da sua obra ter sido ignorada pela crítica. Publicou 90 romances do gênero de aventura (e cerca de 100 apócrifos, que os editores inescrupulosamente criaram), normalmente envolvendo piratas. Conhecido como o "pai" de Sandokan.
    Nasceu em Verona a 21 de Agosto de 1862. Em 1879 entrou no Regio Istituto Tecnico e Nautico P. Sarpi, em Veneza, mas não chegou a obter o título de Capitão da Marinha como desejava.
    Durante a sua estadia no Istituto, navegou três meses no mar Adriático a bordo do navio Italia Una. Esta foi a sua experiência marítima mais significativa que juntamente com os seus estudos no Instituto deram-lhe muitos dos conhecimentos náuticos que utilizaria em sua obra.
    Em Outubro de 1883 inicia a publicação de "Os tigres de Mompracem" que abre o ciclo de Sandokan e conhece um notável sucesso. Apesar disso, o retorno financeiro não é o que esperava. Em 1884 viu publicado o seu primeiro romance, La favorita del Mahdi, que tinha escrito em 1877.
    Graças ao êxito destas obras consegue a posição de redator no periódico La Nuova Arena até 1893. Neste mesmo ano é preso por duelar com Giuseppe Biasioli que o ofendera num artigo. 
    Em 1887 sua mãe falece, em 1889 seu pai suicida-se, iniciando uma cadeia impressionante de suicídios familiares que inclui o do próprio escritor (1911) e de seus filhos, Romero (1931) e Omar (1963).
    Apaixonou-se por uma jovem inglesa, que mais tarde haveria de servir de arquétipo de heroína dos seus romances. Casa-se em 1892 com a atriz de teatro Ida Peruzzi. Nesse mesmo ano nasce a sua filha Fatima, Nadir (1894), Romero (1898) e Omar (1900). No mesmo ano muda para Turim onde fica até sua morte.
    Em 1897 o rei Humberto confere-lhe o título honorífico de Cavaleiro da Coroa Italiana
   Em 1907 passou a trabalhar para a editorial Bemporad para a qual escreveu dezenove novelas. O seu êxito entre o público juvenil seguiu crescendo, atingindo algumas das suas novelas tiragens de 100.000 exemplares.
   Apesar do trabalho incansável de Salgari e a preocupação em proporcionar um mínimo de condições à sua família, as dificuldades econômicas continuaram.
   As dificuldades econômicas, agravadas com a doença mental da esposa iniciada em 1903, a qual foi internada, acabaram por conduzi-lo ao suicídio em 25 de Abril de 1911, praticando um Seppuku. Tinha então 48 anos de idade.

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